Catedral é 'obrigada' a tocar 'Para nossa alegria' depois de 19 anos
'Fãs estão pedindo muito', diz grupo gospel, que gravou canção em 1993.
Antes de a música "Galhos secos" se transformar no maior "meme" das últimas semanas, o hit religioso já trouxe alegria para o repertório de muitos artistas.
Criado
pela banda paulistana Exodos em 1970, a faixa popularmente conhecida
como "Para nossa alegria" virou assunto ao ser cantada por Jefferson,
Mara e Suelen, em vídeo que contabilizou quase 14 milhões de acessos em
20 dias. Veja o vídeo.
Por
causa do sucesso, a música vai voltar ao repertório do Catedral, banda
gospel que regravou a música em 1993. "Estamos sendo obrigados a voltar a
tocar", explica Kim, vocalista do Catedral, em entrevista ao G1. "Os
fãs estão pedindo muito. Vamos começar uma nova turnê e tocaremos
'Galhos secos', porque virou uma febre. Queremos fugir do lance cômico. O
pessoal curtiu a música e está procurando saber como ela é mesmo. Viram
um vídeo engraçado, mas a música e a letra despertaram um interesse na
galera", analisa.
O
cantor lembra que a versão feita por sua banda, incluída no disco duplo
"Está consumado", foi a primeira a dar uma roupagem mais roqueira para a
música. "A gravação de 'Galhos secos' mais famosa foi feita pelo
Catedral. A letra da música e a informação que ela leva são muito
sérias, parece até uma oração." A faixa, bem mais pesada do que a versão
acústica e caseira famosa no YouTube, deve dar novo gás aos shows de
divulgação do novo disco "Maior idade musical", com o qual o trio de pop
rock comemora 22 anos de carreira.
Som Maior e Exodos
Kim
conta que conheceu "Para nossa alegria" por meio de uma gravação de um
grupo chamado Som Maior, que fez sucesso com canções religiosas nas
décadas de 1980 e 1990.
"Ela
era do início da música evangélica no Brasil. A primeira gravação é de
uma tal banda Exodos, do começo dos anos 70, mas só conheci mesmo com o
Som Maior", explica.
A
tal banda Exodos, autora da música, tem como principal integrante
Osvayr Agreste. "Escrevi quando tinha 13 anos, foi a primeira que fiz",
conta Osvayr ao G1. Ele recorda que a canção foi composta para ser
tocada em uma Igreja Batista em Pirituba, na Zona Norte da capital
paulista. O grupo Exodus existiu entre 1970 e 1977. Hoje, o músico tem
55 anos e é contador.
Nas horas vagas, ainda compõe "músicas de evangelização", nas palavras dele.
"Tínhamos
amigos que estavam entrando no caminho das drogas, por causa dos
festivais, do amor livre, do movimento hippie. Eles fumavam maconha,
usavam entorpecentes. Escrevi a música por causa da vontade de falar do
amor de Deus de uma forma diferente. Gostávamos da sonoridade do rock,
do Pink Floyd, do Genesis", justifica. Segundo ele, a letra foi escrita
para "pegar pessoas destruídas e mortas e trazê-las de novo para a vida e
para a sociedade". "Ela virou um hino das casas de recuperação",
conclui.
Fonte: G1
